sábado, 21 de março de 2009

Conversando sobre Inclusão.



Conversando sobre Inclusão
Parte I

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
DAS UTOPIAS – Mário Quintana

A intolerância é assimilada e fomentada pela sociedade, muitas vezes resistente quando se trata de lidar com as diferenças.
"A discriminação surge da necessidade que temos de qualificar as coisas e os indivíduos dentro do que é socialmente considerado normal", diz Dorian Mônica Arpini, do departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul.
Segundo o dicionário Aurélio, preconceito é uma idéia preconcebida. Na segunda acepção é suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões. O preconceito pode permanecer só no aspecto interno,sem que tenha uma correspondência na prática. Ele pode não se materializar nas ações.
Enquanto discriminação é o ato ou efeito de discriminar, tratamento preconceituoso dado a certas categorias sociais, raciais, etc. A discriminação decorre do preconceito, fazendo com que determinados segmentos, grupos ou atividades sejam excluídos ou estigmatizados.
Uma forma corriqueira de discriminação é aquela referente ao nível social, à raça, religião, opção sexual. Também existe preconceito quanto ao deficiente, seja qual for o problema ou o grau de deficiência apresentado.
Muitas vezes, a segregação começa a partir da colocação de "rótulos" ou de "etiquetas" nas pessoas com deficiência, do tipo "não vai aprender a ler", "não pode fazer tal movimento" e outros. Estas "etiquetas" têm consequências sobre a forma como estas pessoas são aceitas pela sociedade e não permitem que a própria pessoa se exprima e mostre do que é capaz. A ênfase recai sobre a INcapacidade, sobre a Deficiência e não sobre a Eficiência, a Capacidade, a Possibilidade.
Sabemos o quanto é longa a história da marginalização de uma pessoa deficiente em nossa cultura. Felizmente, hoje, tenta-se minimizar os efeitos de tantos anos de exclusão. Alguma evolução se percebe já a partir da compreensão do que é a "deficiência".
Atualmente, os termos adequados são: Pessoa Portadora de Deficiência, Pessoa com Deficiência ou Pessoa com Necessidades Especiais. Estes termos sinalizam que, em primeiro lugar, referimo-nos a uma PESSOA que, dentre outros atributos e características, tem uma deficiência, mas ela não É esta deficiência. O que importa, em primeiro lugar, é a pessoa.
Substituindo o termo "deficiente" por "especial" modifica um pouco a situação, pois altera a nossa atitude quando compreendemos que existem necessidades especiais.
Podemos definir "Pessoa Portadora de Deficiência" como aquela que apresenta, em comparação com a maioria das pessoas, significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de fatores inatos e/ou adquiridos, de caráter permanente e que acarretam dificuldades em sua interação com o meio físico e social.
Aqui no Brasil, o Decreto n. 3.298 de 20 de dezembro de 1999 considera pessoa portadora de deficiência a que se enquadra em uma das seguintes categorias: Deficiência Física, Deficiência Auditiva, Deficiência Visual, Deficiência Mental, Deficiência Múltipla. No outro extremo da escala das habilidades intelectuais estão as pessoas que são consideradas superdotadas ou com altas habilidades, que se caracterizam por um notável desempenho e elevada potencialidade.
Podemos perceber facilmente que, qualquer que seja o tipo de deficiência, ele apresenta gradações: há pessoas com comprometimentos maiores, que exigem equipamentos como cadeira de rodas, e há outras cujas limitações são menores; algumas conseguem aprender a ler e escrever, mas outras não.
A partir do reconhecimento e da aceitação de nossos preconceitos e desconfianças, estamos aptos a mudar nosso comportamento e a aceitar que as pessoas portadoras de deficiência são pessoas como nós, ou seja, começaremos a identificar os pontos comuns entre nós e não mais a acentuar as diferenças. Poderemos, então, identificar o que nos une e constatar que nossa essência é a mesma: somos seres humanos, cuja diversidade indica riqueza de situações e possibilidade de intercâmbio de vivências e de aprendizagem.

Fonte de consulta:
http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/ede/edetxt1.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
http://www.inclusao.com.br/index_.htm
http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=1003 http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/

2 comentários:

Márcio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Márcio disse...

Muito bom este texto. Abraços.